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“A Esquizofrenia e a Psicanálise”

Bion enfatizava que “… toda analise é um processo de natureza vincular e intima entre duas pessoas que vão enfrentar verdades penosas de serem reconhecidas, impõe-se a necessidade de que o analista reúna condições necessárias mínimas antes assumir a corajosa empreitada de uma difícil analise com determinados pacientes.

Este artigo tem como objetivo realizar uma apresentação sobre a psicopatologia e os limites e potencialidades com tratamento de pacientes esquizofrênicos pela psicanálise. O que pode possibilitar a estes pacientes um equilíbrio emocional e uma melhor qualidade de vida.

A esquizofrenia é uma condição humana que pode ser compreendida e há tratamentos que podem levar o paciente a estabilidade do quadro. As causas exatas da esquizofrenia ainda são desconhecidas, entretanto a área de psiquiatria acredita que pode estar envolvida a fatores genéticos e também ambientais no aparecimento distúrbio, que acontece devido algumas alterações do funcionamento do cérebro. As medicações indicadas na maioria dos casos atuam nos receptores de dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena do neurotransmissor.

Dentre alguns sintomas apresentados pelo paciente esta o delírio e alucinações, estes de forma mais clássicas, porem há outros sintomas dentro do quadro como pensamento e habilidade motora desorganizada, ausência de contato visual, negligencia da higiene pessoal dentre outras. É indiscutível que a esquizofrenia vem sendo objeto de estudo por varias áreas de saúde mental, como a psiquiatria, psicólogos e psicanalistas buscando para estes pacientes possibilidades de quadros estabilizados.

O tratamento psicoterapêutico tem como objetivo a reinserção social da pessoa com esquizofrenia e ajudar a família neste processo. São tratamentos voltados a ajudar a pessoa a lidar com as questões do dia a dia, entender melhor as questões que vivem no seu intimo e na interação com as pessoas, estabelecendo assim, um cotidiano que seja confortável e produtivo. Este tratamento também ajuda o paciente a ampliar e dar significado a sua rede de relacionamentos na comunidade em que vive e nas relações familiares.

G. Jung (1875 – 1961) ao aprofundar seus estudos sobre a esquizofrenia entendeu que o “EU” (Ego) é o centro de nossas reações e de nossos desejos, sendo o cerne indispensável da consciência, se ele se desintegra como na esquizofrenia, toda ordem de moral desaparece e a realidade não mais pode ser reproduzidas voluntariamente; o centro “eu” (ego) se partiu e algumas partes da psique passarão a referir-se a um fragmento do eu, e o indivíduo passa a viver fora da realidade.

Jung ao escrever a teoria do inconsciente coletivo, aqui de maneira simples, é a experiência que compartilhamos como espécie por meio de memórias, estas memórias de experiências são preservadas e aparecem em formas de arquétipos – o primeiro modelo, modelo especifico, que agem como nossos padrões comportamentais. Com essa idéia voltamos então ao que foi dito anteriormente que os fatores para o aparecimento da esquizofrenia em algumas pessoas podem ser de fatores genéticos e também do meio ambiente que vive o paciente dentro outros fatores também importantes que podem nos fazer entender o surgimento da doença.

Jung também fez ênfase aos símbolos que são produções espontâneas da psique do individuo que mais do que imagens e sonhos fazem os indivíduos se fixarem em algo ao alguma coisa.  Parecem vencidos por essa invasão de símbolos e passam a ser guiados pelos conteúdos inconscientes, e se identificam com eles. Talvez pudéssemos dizer que, do ponto de vista psíquico, o esquizofrênico apresente uma capacidade de resiliência muito baixa ou mesmo ausente.

Outro aspecto a ser apontado seria que na psicose e na esquizofrenia, o lugar do psicanalista será o de acolher a subjetividade do paciente, em sua tentativa de construção e atendê-lo como um ouvinte atento para que haja compreensão destes sentimentos, pois o Esquizofrênico possui uma comunicação diferenciada e muitas vezes repleta de símbolo. A escuta atenta e respeitosa do terapeuta, permite que o paciente se sinta encorajado a relatar seus sofrimentos e preocupações. A partir disto, seus relatos passam a ser mais espontâneos e o terapeuta vai identificando os momentos em que pode intervir na interpretação de conflitos. As principais ferramentas de que dispõe o terapeuta são: a informação, o esclarecimento e a interpretação.

Levando em consideração todos esses aspectos mencionados vale à pena ressaltar que o uso de cannabis (maconha) potencializa o risco da doença.

Mais do que trazer informações sobre a psicopatologia e como ela vem sendo estuda por todas as áreas a fins, é também mostrar que no set analítico, podemos identificar algum traço da esquizofrenia, já que lidamos com pacientes nas fases em que há mais surtos da doença, ou seja, em pacientes com uma infância conturbada, adolescentes e inicio de fase adulta, e assim podemos ajudar esses pacientes a procurar  tratamento médico para medicações e diagnostico precoce  que possibilitem o retardos dos surtos psicóticos e uma psicoterapia assertiva.

 

Palavras chaves : Esquizofrenia, C.G. Jung e Inconsciente Coletivo.

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SBPI

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