voltar à página inicial

Curso de TVP janeiro 2010

usuário:   
senha:   
esqueci a senha    
voltar à página inicial mapa do site enviar email

ARTIGOS

A Psicanálise é para poucos

A Psicanálise é para poucos

 Por: Marcelo Vinicius

O que adianta uma formação psicanalítica sem uma análise de si mesmo? O que significa você ler todas as literaturas psicanalíticas se você não procura conhecer a si mesmo?

São perguntas simples, que podem ser resolvidas: todo psicanalista deve fazer análise para estar preparado para atuar. Correto, mas qual a importância disto? Isso é um fator principal para o psicanalista, precisamos resolver os nossos conflitos e conseqüentemente os nossos pré-conceitos. Vejo pessoas formando em Psicanálise e que não perceberam a importância de estar aberto, de estar de mente aberta e preparado para o novo que “abrasa” no inconsciente de cada um.

É preciso tirar todas as nossas velhas e condicionadas armaduras... Mas o que será de nós? Dar medo! Mas que medo é esse? Ser psicanalista não basta se formar. É simples a idéia, mas o fato é perigoso! Perigoso? Mas que perigo é esse?

É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito.

A Psicanálise diferencia-se de outras formações, ela lhe conduz a examinar e a superar seus sistemas de crença e preconceitos resultantes de um condicionamento que limita a nossa capacidade de aproveitar a vida da melhor forma possível. Você simplesmente não é só um psicanalista depois de sua formação, você é uma outra pessoa.

Há muitos “formados” e “formandos” em Psicanálise, mas nem todos são privilegiados por ela. Este privilégio faz surgir homens raros e gênios, não porque gênios nasçam raramente, não; o gênio acontece raramente porque é muito difícil escapar do processo de condicionamento da sociedade e questões psíquicas. Se você der aquelas técnicas psicanalíticas diretamente às pessoas, elas estão tão carregadas com seu lixo, que aquelas técnicas serão perdidas.

O auto-conhecimento implica várias coisas, inclusive a análise. Se você reserva alguns minutos do seu dia para conversar com você mesmo e encarar sua sombra, isso é auto-conhecimento. É um exercício de muita coragem. Dentro do consultório analítico, a transferência é importante, mas não se esqueça da contratransferência!

O psicanalista não se prende a determinadas crenças, respeita todas, mas não é religioso e se ele é religioso, isto não interfere na sua profissão. O psicanalista não se espanta com a opção sexual do seu cliente. O respeito está acima de tudo, pois o psicanalista tem que fazer com que o cliente sinta que pela primeira vez ele está sendo respeitado como individuo, como um ser humano.

Um psicanalista tem que ser respeitador, não pode haver pré-conceitos. Ele, o psicanalista, não é um padre. Ele não está lá para ditar sua vida. Ele está lá simplesmente para ficar ao seu lado. Ele não tem que andar por você. Se você cai, ele está lá para ajudá-lo a se levantar novamente. Mas, você tem que andar por si mesmo. Todo mundo tem que andar por si mesmo.

Se você nasceu para a Psicanálise, você será um psicanalista que pensará: Procure, busque a sua verdade. Seja tudo aquilo que deseja ser. Eu não vou ficar no seu caminho. E não vou incomodá-lo com minhas experiências. Você não é eu. Você me procurou, mas você não deve ser uma cópia de mim.

Você não deve me imitar. Eu vivi a minha vida e você vive a sua. Não vou sobrecarregá-lo com minhas experiências não vividas. Eu não vou sobrecarregá-lo com meus desejos não satisfeitos. Eu farei com que permaneça leve. Eu o auxiliarei, pois é preciso que busque a felicidade. Descubra como ser feliz.

Um psicanalista através do respeito pode proteger os seus clientes, evitando que tomem caminhos errados, não por medo, mas a partir do seu respeito. Se forme em Psicanálise, mas realmente queira se conhecer!

volta