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Por: Marcelo
Vinicius
O que adianta uma formação psicanalítica sem uma análise de
si mesmo? O que significa você ler todas as literaturas psicanalíticas se você
não procura conhecer a si mesmo?
São perguntas simples, que podem ser
resolvidas: todo psicanalista deve fazer análise para estar preparado para
atuar. Correto, mas qual a importância disto? Isso é um fator principal para o
psicanalista, precisamos resolver os nossos conflitos e conseqüentemente os
nossos pré-conceitos. Vejo pessoas formando em Psicanálise e que não perceberam
a importância de estar aberto, de estar de mente aberta e preparado para o novo
que “abrasa” no inconsciente de cada um.
É preciso tirar todas as nossas
velhas e condicionadas armaduras... Mas o que será de nós? Dar medo! Mas que
medo é esse? Ser psicanalista não basta se formar. É simples a idéia, mas o fato
é perigoso! Perigoso? Mas que perigo é esse?
É hora de dar uma olhadela
no seu próprio reflexo no lago e de tomar a iniciativa de libertar-se do que
quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o
objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito.
A
Psicanálise diferencia-se de outras formações, ela lhe conduz a examinar e a
superar seus sistemas de crença e preconceitos resultantes de um condicionamento
que limita a nossa capacidade de aproveitar a vida da melhor forma possível.
Você simplesmente não é só um psicanalista depois de sua formação, você é uma
outra pessoa.
Há muitos “formados” e “formandos” em Psicanálise, mas nem
todos são privilegiados por ela. Este privilégio faz surgir homens raros e
gênios, não porque gênios nasçam raramente, não; o gênio acontece raramente
porque é muito difícil escapar do processo de condicionamento da sociedade e
questões psíquicas. Se você der aquelas técnicas psicanalíticas diretamente às
pessoas, elas estão tão carregadas com seu lixo, que aquelas técnicas serão
perdidas.
O auto-conhecimento implica várias coisas, inclusive a
análise. Se você reserva alguns minutos do seu dia para conversar com você mesmo
e encarar sua sombra, isso é auto-conhecimento. É um exercício de muita coragem.
Dentro do consultório analítico, a transferência é importante, mas não se
esqueça da contratransferência!
O psicanalista não se prende a
determinadas crenças, respeita todas, mas não é religioso e se ele é religioso,
isto não interfere na sua profissão. O psicanalista não se espanta com a opção
sexual do seu cliente. O respeito está acima de tudo, pois o psicanalista tem
que fazer com que o cliente sinta que pela primeira vez ele está sendo
respeitado como individuo, como um ser humano.
Um psicanalista tem que
ser respeitador, não pode haver pré-conceitos. Ele, o psicanalista, não é um
padre. Ele não está lá para ditar sua vida. Ele está lá simplesmente para ficar
ao seu lado. Ele não tem que andar por você. Se você cai, ele está lá para
ajudá-lo a se levantar novamente. Mas, você tem que andar por si mesmo. Todo
mundo tem que andar por si mesmo.
Se você nasceu para a Psicanálise,
você será um psicanalista que pensará: Procure, busque a sua verdade. Seja tudo
aquilo que deseja ser. Eu não vou ficar no seu caminho. E não vou incomodá-lo
com minhas experiências. Você não é eu. Você me procurou, mas você não deve ser
uma cópia de mim.
Você não deve me imitar. Eu vivi a minha vida e você
vive a sua. Não vou sobrecarregá-lo com minhas experiências não vividas. Eu não
vou sobrecarregá-lo com meus desejos não satisfeitos. Eu farei com que permaneça
leve. Eu o auxiliarei, pois é preciso que busque a felicidade. Descubra como ser
feliz.
Um psicanalista através do respeito pode proteger os seus
clientes, evitando que tomem caminhos errados, não por medo, mas a partir do seu
respeito. Se forme em Psicanálise, mas realmente queira se
conhecer! |