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Por: Marcelo
Vinicius
Antes de abordarmos sobre a evidência da neurociência, é
interessante retomarmos os conceitos da psicanálise, que são conhecidos, mas que
servirão como base para a introdução do assunto breve.
A teoria
psicanalítica é composta por um corpo de hipóteses a respeito do funcionamento e
desenvolvimento da mente do homem, ela se interessa tanto pelo funcionamento
mental normal como pelo patológico, embora a prática da psicanálise consista no
tratamento de pessoas que se acham enfermas.
Dentre vários conceitos
psicanalítico, como o determinismo psíquico, temos também, os processos mentais
inconscientes, estes são de maior freqüência e significado no funcionamento
mental normal, bem como no anormal.
“... o inconsciente é a base geral
da vida psíquica. O inconsciente é a esfera mais ampla, que inclui em si a
esfera menor do consciente”. (FREUD, 1900, pg. 554). O que podemos observar, não
só nessa citação, mas em todos os estudos existentes na psicanálise por Freud e
pós-freudiano, é que o inconsciente é uma instância determinante da vida
psíquica, fato que acaba se estendendo as outras esferas da experiência humana.
Mas, o que nos interessa é que a idéia psicanalítica de que somos
movidos pelo inconsciente não é só verificada na própria psicanálise, como
também na neurociência. Digo isto, porque ocorreram experimentos científicos no
âmbito da neurociência, a qual conseguiu "prever" decisão cerebral. Na verdade,
trata-se de uma identificação da decisão cerebral antes que a consciência se dê
conta disso.
Segundo a revista Nature Neuroscience, as decisões
atribuídas ao livre arbítrio humano podem ser formadas inconscientemente vários
segundos antes de o cérebro tomar consciência delas. Este experimento saiu
também no jornal FOLHA e no site da UOL.
O trabalho se baseou em um
experimento no qual voluntários tiveram seus cérebros monitorados por
ressonância magnética. No teste, elaborado por cientistas do Instituto Max
Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, de Leipzig (Alemanha), pessoas
tinham de decidir livremente por apertar um de dois botões em um controle. Ao
mesmo tempo ficavam olhando uma seqüência de letras projetada numa tela, que não
deveria influir na decisão. Os voluntários tinham apenas de dizer que letra
estavam observando quando finalmente decidiam qual botão apertar.
Comparando o momento em que as pessoas se diziam conscientes de suas
decisões com padrões de atividade cerebral registrados no aparelho de
ressonância magnética, os cientistas tiraram sua conclusão.
"Descobrimos
que o resultado de uma decisão pode ser codificado como atividade cerebral nos
córtices pré-frontal e parietal (regiões na superfície do cérebro) até dez
segundos antes de entrarem na consciência", escrevem os autores do estudo,
liderado por John-Dylan Haynes. "A impressão de que podemos escolher livremente
entre duas possíveis linhas de ação é essencial para nossa vida mental. Contudo,
é possível que essa experiência subjetiva de liberdade não seja mais do que uma
ilusão e nossas ações sejam iniciadas por processos mentais inconscientes bem
antes de tomarmos consciência de nossa intenção de agir."
A neurociência
demonstra que nossas decisões vêm do inconsciente, mostrando que processos
não-conscientes formam a base do psiquismo. Contudo, está informação já foi
declarada pela Psicanálise, onde o próprio Freud expressa o conceito de
inconsciente e a formulação de que o homem não é senhor em sua própria morada.
No mais, o que importa nesse estudo científico é o reforço que se oferece para o
conceito do inconsciente postado e estudado pela Psicanálise. Este expressa a
idéia de sermos movidos pelo inconsciente. A Psicanálise, através de estudos e
casos clínicos, comprova que o inconsciente existe e é de maior freqüência e
significado no funcionamento mental.
Entretanto, é preciso elucidar que
o inconsciente freudiano não se localiza de forma alguma no cérebro e sim no
“corpo pulsional”. Assim, não há intenção em proferir que o inconsciente de
Freud está no cérebro. Contudo, a neurociência chegou também à conclusão de que
existe o inconsciente e que este pode ser representado em uma região do cérebro,
confirmando os conceitos da Psicanálise em relação ao inconsciente e não em
relação à anatomia cerebral ou coisa do gênero, que isso fique claro.
Já
sabemos da cientificidade da Psicanálise nos conceitos da nova ciência, baseado
também pela crítica de Bachelard, as quais consideram a incerteza (Física
Quântica) e a subjetividade (Psicanálise), fatores relevantes para que se pense
o objeto científico. No entanto, a Psicanálise também tem o seu pé na ciência
clássica, semelhando-se os seus métodos com disciplinas como a Arqueologia, a
Astronomia, a Ciências Econômicas, a Sociologia, a Historia e etc. Além disso,
os experimentos da neurociência robustecem a constatação da existência do
inconsciente descoberto pela Psicanálise, mas conservando as observações citadas
anteriormente sobre o mesmo. A Psicanálise provocou uma revolução no estudo da
mente humana, salientando o inconsciente e o determinismo psíquico.
Referência:
FREIRE Augusto César, A Interpretação dos
Sonhos Sigmund Freud 1899/1900. Artigo. 1999.
Revista VEJA. Editora:
Abril - Nos 100 anos de A Interpretação dos Sonhos. 05.05.1999.
ALBINO,
Raul Pacheco Filho. Psicanálise, Psicologia e Ciência: continuação de uma
polêmica. Artigo. 1996.
Jornal Folha, Experimento consegue "prever"
decisão cerebral: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1404200802.htm
BARROS, Marcelo Vinicius Miranda. Psicanálise é ciência?. Artigo. 2008.
SBPI. Como Freud Desenvolveu a Psicanálise. Artigo. 2008.
Marcelo Vinicius Miranda Barros (Graduado em tecnologia, formando em
Psicanálise e estudante da filosofia orientalista.)
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