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ARTIGOS Karl Abraham Karl Abraham (1877-1925), psicanalista alemão. Psicanalista e médico alemão, Karl Abraham nasceu em 3 de maio de 1877 em Bremen e faleceu em 25 de dezembro de 1925 em Berlim. Filho de Nathan Abraham, comerciante, e de Ida Oppenheim, é o caçula de dois rapazaes de uma família judia ortodoxa. Após seus estudos de medicina em Würzburg, Berlim e Freinburgim-Breisgau, casa-se em 1906 com sua prima, Hedwig Bürgner. Terão dois filhos; sua filha é a prestigiosa psicanalista Hilda Abraham. Karl efetua a sua formação psiquiátrica em Berlim, depois em Zurique no Eugem Bleuler, cujo médico chefe era Carl Gustav Jung. É ai que ele se familiariza com os escritos de Freud. Em 1907, abre seu consultório de psicanalista em Berlim e, em 1910, funda o Instituto de Psicanálise de Berlim. De 1914 a 1918, é mobilizado como medico-chefe de uma unidade psiquiátrica avançada. Aí começou a interessar-se pelos estudos das neuroses de guerra. Será presidente da Associação Psicanalítica internacional (A. P. I.) em 1918 e 1925. Aluno e amigo de Freud, faz parte do comitê secreto desde a sua formação. Em 1918 obtém o Prêmio de Honra conferido ao melhor trabalho analítico. Co-diretor do Jahebuch für Psychoanalyse e da Zentralbatt für Psychoanalyse, será também o analista didata de Felix Boehm, Helene Deutsch, Edward e James Glover, Karen Horney, Melanie Klein, Carl Müller-Braunschweig, Sándor Radó, Theodor Reik e Ernst Simmel. Além de suas pesquisas sobre psicologia coletiva (“Sonho e mito”, 1909), o segundo domínio importante de investigação onde Abraham fez descobertas importantes foi o da libido: Versuch einer Entwicklungsgeschichte der Libido auf Grund der Psychoanalyse seelischer Störungen (1924, “Esboço de uma história do desenvolvimento da libido fundamentada na psicanálise de mentais”). O ponto de partida de Abraham é a teoria de Freud sobre os estágios das organizações pré-genitais (1916/1917). Ele introduz uma diferenciação no estágio de desenvolvimento da libido designado por Freud como oral-canibal ao propor uma dupla atividade bucal de chupar e morder. A partir dessa hipótese, ele infere dois modos de relações objetais precoces diferentes, a incorporação pela sucção e a destruição pela mordedura. Esta ultima introduziria o conflito de ambivalência na vida da criança. Ele interpreta a partir desse conflito os distúrbios psicológicos do Eu do adulto melancólico: a ambivalência da vida pulsional produz a retirada do investimento libidinal do objeto, a libido assim liberada volta-se para o Eu, o objeto é introjetado pelo Eu. Associa a psicogênese da melancolia à mãe frustradora durante a fase precoce do desenvolvimento da libido: se esta se produz antes do domínio bem sucedido dos desejos edipianos, ou seja, na fase que precede o triunfo do estágio narcísico, será criado um vínculo associativo entre o complexo de Édipo e o estágio canibal do desenvolvimento da libido. Isso tornaria possível a introjeção consecutiva dos dois objetos de amor, o pai e a mãe. Antes mesmo que Abraham se interrogue sobre a psicose maníaco-depressiva (de 1916 a 19240, ele já tinha feito a descoberta importante para a investigação sobre a esquizofrenia em Die psychosexuelle Differenz de Hysterie und der Dementia Präcox (1908. “As diferenças psicosexuais entre histeria e a demência precoce”): os da função do Eu seriam secundários em relação aos no setor libidinal. O que permite fazer-se uma referência à teoria da libido para compreender a demência precoce. Nesse trabalho, Abraham introduziu a noção de “autismo”, retomada em seguida por Eugene Bleuler (1911). Abraham é um dos fundadores da pesquisa psicanalítica sobre as psicoses, da psicologia psicanalítica coletiva e — com Sándor Ferenczi e Ernest Simmel— da das neuroses de guerra. Sua obra Princeps, o “Exame da etapa pré-genital mas precoce do desenvolvimento da libido”, estimulou a pesquisa nesse domínio até os nossos dias. O instituto de formação psicanalítica que ele criou em Berlim tornou-se a referência para todos os outros institutos ao redor do mundo. É em sua homenagem que o atual Instituto de Psicanálise de Berlim ostenta o seu nome. Abraham publicou cinco livros e cento e quinze artigos de revista e fez numerosas conferências nos congressos da A. P. I. Sua obra foi reunida em edições de “obras completas” em numerosas línguas. Johannes Cremerius Bibliografia: Abraham, K. (1909, 1924); Cremerius, J. (1969-1971); Freud, S. (1926); Gristein, A. (1960). Obra apresentada: “Traum und Mythus. Eine Studie zur Völkerpsychologie” (Edição frencesa et mythe. Contribution à ´l’étude de psychologie colletive” Obras editadas no Brasil: Teoria Psicanalítica da Libido (Sobre o caráter e o Desenvolvimento da Libido), Imago Editora, Rio de Janeiro, 1970. Mijolla, Alain de.—Dicionário internacional da psicanálise pág. 19—Rio de Janeiro: Imago Ed., 2005
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