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Entenda as relações familiares segundo a Psicanálise

A psicanálise, ao investigar o inconsciente da sociedade, exercita diversos conhecimentos nos quais o sujeito está incluso. No estudo dessas relações sociais, um dos campos de pesquisa que contribuiu para a construção dessas teorias foi o direcionamento a respeito do funcionamento das relações familiares.

Um dos principais estudiosos sobre esse tema é Lacan, que define o conceito de família sem nenhuma fundamentação biológica e sim como uma instituição. No post de hoje, vamos abordar como a psicanálise entende essa instituição.

As funções do pai e da mãe

As figuras do pai e da mãe têm importante função no desenvolvimento do indivíduo, cada um com a sua particularidade. Para tornar-se família, seja ela qual for, é necessário que exista o desejo de todos os membros de ser família.

A mãe é crucial para o processo de desenvolvimento da criança. Segundo Lacan, o olhar do outro indivíduo representa a imagem do que eu sou. E a figura da mãe representa primordialmente esse outro para o bebê.

Já a figura paterna é representada como o indivíduo que irá quebrar a figura do outro primordial, a da mãe. Nesse sentido, ela é essencial para a inserção da criança na cultura e no mundo.

Além disso, para Lacan, a figura do pai é muito mais do que sua presença física: é o ato simbólico, o desejo da mãe em ter a figura paterna ligada a um homem. Ou seja, a figura do pai é como se fosse um suporte para a mãe. Podemos dizer que isso é um reflexo da sociedade patriarcal na qual vivemos, por atribuir essa função exclusivamente ao homem.

Os complexos familiares

Lacan define três complexos ao longo da vida de um indivíduo nas suas relações familiares: o complexo do desmame, da intrusão e de édipo.

O complexo do desmame não é natural, mas cultural. Num animal, o desmame acontece quando a amamentação se completa. Mas nas relações humanas, é o próprio indivíduo que dirá até quando a amamentação deve perdurar: a presença da mãe substitui esse trauma do desmame.

O complexo da intrusão acontece quando o sujeito se reconhece tendo irmãos. Como dito anteriormente, o bebê enxerga na figura materna o outro predominante. Com o passar do tempo, o sujeito recusa-se à destruição dessa figura ou é levado a algum objeto, recebendo um intruso sob a forma característica do conhecimento humano.

O complexo de édipo é quando a criança passa a disputar com o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto. Nesse sentido, ela desenvolve sentimentos hostis ao progenitor ou a qualquer outro objeto que desvie o amor do progenitor do sexo oposto.

Relações familiares: um mal necessário

Lacan define as relações familiares como um mal necessário, tendo em vista que a condição humana é prematura. Isto é, o homem é incapaz de se desenvolver sozinho, precisando de outras pessoas ao seu redor para concluir esse desenvolvimento.

O crescimento no indivíduo numa relação familiar depende do outro: qualquer função estabelecida, para ser cumprida, necessita de uma segunda pessoa.

Agora que você já sabe um pouco como a psicanálise entende as relações familiares, que tal entender como os arquétipos contribuem nesses estudos? Boa leitura!

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SBPI

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